Um disco indispensável para quem quer conhecer Belchior e entender sua ideologia, sem duvida, é o disco Alucinação de 1976, o segundo disco do cantor... Nesse disco você vai encontrar musicas como Apenas um rapaz Latino Americano, Como nossos pais, Alucinação, A Palo Seco e varias outras que sem duvida expressão bem o sentimento da juventude de esquerda da época e as que viriam nas gerações seguintes. Um disco totalmente atual na sua abordagem, com uma visão pessimista de mundo porem realista e pragmática. Quem não conhece Belchior e quer conhecer o artista esta ai a oportunidade...
01 Apenas Um Rapaz Latino-Americano (Belchior)
02 Velha Roupa Colorida (Belchior)
03 Como Nossos Pais (Belchior)
04 Sujeito De Sorte (Belchior)
05 Como O Diabo Gosta (Belchior)
06 Alucinação (Belchior)
07 Não Leve Flores (Belchior)
08 A Palo Seco (Belchior)
09 Fotografia 3 X 4 (Belchior)
10 Antes Do Fim (Belchior)
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Belchior - (Alucinação 1976)
terça-feira, 29 de abril de 2008
Gilberto Gil (1969)
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Caetano Veloso (Caetano Veloso 1969)
No final de 1968, no dia 27 de dezembro, devido aos problemas com a ditadura militar, Caetano Veloso e Gilberto Gil são presos. Além de o fato de o Tropicalismo ter sido um movimento representante á oposição política, os dois foram acusados. Só seriam soltos em 19 de fevereiro de 1969, mas ainda ficariam confinados em Salvador, na Bahia. E nesse período Caetano e Gil gravaramas vozes de seus Lps, pois tiveram de deixar o Brasil e se exilaram em Londres. Os arranjos de orquestra ficaram a conta do maestro Rogério Duprat, que fez por cima das vozes e violões. No Lp de Caetano, estão a música de abertura ''Irene", foi feita em homenagem para sua irmã enquanto estava na cadeia, a regravação de ''Carolina", de Chico Buarque, o tango agentino ''Cambalache", e ''Atrás Do Trio Elétrico", que foi a primeira música de Caetano acompanhado pelo guitarrista Lanny Gordin (e que também já havia sido lançada em compacto com ''Torno a Repetir"). Além disso, há também incluído ''Objeto Não Identificado", que havia sido gravada por Gal Costa em seu primeiro Lp solo. O orgão deste disco quem toca é o maestro Chiquinho De Moraes, que ficaria bastante conhecido como o maestro de Elis Regina e Roberto Carlos.
01 Irene (Caetano Veloso)
02 The empty boat (Caetano Veloso)
03 Marinheiro só (Caetano Veloso)
04 Lost In The Paradise (Caetano Veloso)
05 Atrás do trio elétrico" (Caetano Veloso)
06 Os argonautas" (Caetano Veloso)
07 Carolina (Chico Buarque)
08 Cambalache (Enrique Santos Discépolo)
09 Não Identificado (Caetano Veloso)
10 Chuvas De Verão (Fernando Lobo)
11 Acrilírico (Rogério Duprat, Caetano Veloso)
12 Alfomega (Gilberto Gil)
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Gilberto Gil (Dia Dorim, Noite Neon 1985)
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Elis Regina (Elis 1973)
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Djavan (Na pista 2005)
“Djavan na pista, etc.” é o nome do segundo lançamento da Luanda Records, gravadora independente que iniciou sua bem sucedida trajetória, em junho de 2004, com o CD “Vaidade”, de Djavan. Este novo lançamento, como o nome já diz, é um CD que contém títulos de várias épocas da carreira do artista agora regravadas em ritmos dançantes.
Produzido por Liminha, que se incumbiu de recriar os ritmos originais das canções, este projeto se iniciou de maneira informal, no final do ano de 2004, e foi gravado durante o período de janeiro a setembro de 2005, no estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro. Marca o primeiro encontro da dupla num estúdio de gravação.
Faixas:
01 Tanta Saudade (Djavan / Chico Buarque)
02 Asa (Djavan)
03 Azul (Djavan)
04 Miragem (Djavan)
05 Sina (Djavan)
06 Capim (Djavan)
07 Fato consumado (Djavan)
08 Acelerou (Djavan)
09 Se (Djavan)
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Gilberto Gil (Expresso 2222 - 1972)
Quando lançou Expresso 2222, Gilberto Gil voltava de um exílio de dois anos em Londres e recomeçava a carreira a todo vapor, unindo as duas pontas básicas do ideário tropicalista. Por um lado, o regionalismo da tosca e revolucionária Banda De Pífanos De Caruaru ("Pipoca Moderna"). De outro, uma canção do exílio universalista, "Back In Bahia", que plantava Celly Campello e um velho baú de prata. Havia espaço para o Nordeste agreste de João Do Vale, turbinado por guitarras em "O Canto Da Ema", e a parábola da contaminação cultural, do repertório de Jackson do Pandeiro, "Chiclete Com Banana". O forrócore e o manguebit já pulsavam nos hormônios freventes de "Sai Do Sereno". O disco também fazia um inventário ideológico da geração do desbunde, com palavras de ordem como "O Sonho Acabou". A teia sólida de Expresso 2222 sobreviveu ao vírus do tempo. Tárik De Souza
Faixas:
01 Pipoca moderna (Sebastião Biano - Caetano Veloso)
Participação: Banda de Pífanos de Caruaru
02 Back in Bahia (Gilberto Gil)
03 O canto da ema (Alventino Cavalcanti - Ayres Viana - João do Vale)
04 Chiclete com banana (Almira Castilho - Gordurinha)
05 Ele e eu (Gilberto Gil)
06 Sai do sereno (Onildo Almeida)
Participação: Gal Costa
07 Expresso 2222 (Gilberto Gil)
08 O sonho acabou (Gilberto Gil)
09 Oriente (Gilberto Gil)
10 Cada macaco no seu galho (Gilberto Gil)
Participação: Caetano Veloso
11 Vamos passear no astral (Gilberto Gil)
12 Está na cara, está na cura (Gilberto Gil)
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Maria Bethânia (Mel 1979)
No mês de dezembro de 1979 aconteceu o lançamento do disco Mel. A década de 70 encerraria para Maria Bethânia de um modo particularmente especial. Ela foi a única cantora convidada para participar do especial de fim de ano de Roberto Carlos, produzido pela Rede Globo. Em janeiro de 1980, Bethânia pisava no palco do Canecão com o show Mel, dirigida por Wally Salomão.
Ficha Técnica:
Direção Musical, Arranjos e Regências: Perinho Albuquerque
Piano: Túlio Mourão e Perna Fróes (em: Mel, Loucura e Da Cor Brasileira)
Participação especial: Angela Ro Rô (Gota de Sangue)
Baixo: Luizão e Moacyr Albuquerque (em: Mel, Loucura e Da Cor Brasileira)
Violão e Guitarra: Perinho Albuquerque
Bateria: Tuti Moreno
Percussão: Djalma Corrêa, Bira da Silva, Ney (Surdo), Doutor (Repenique) e Geraldo (Tamborim)
Vibrafone: Pinduca
Steel Guitar: Rick
Sax Tenor: Biju
Flautas: Jorginho, Meirelles e Copinha
Trumpetes: Formiga, Heraldo e Santos
Trombones: Manoel Araújo e João Luiz Flamarion
Violinos: Giancarlo Pareschi, Aizik Geller, André Guetta, Carlos Hack, Jorge Faine e José Alves Pascoal Perrota - Walter Hack
Violas: Arilndo Penteado, Frederick Stephany, Hindenburgo Borges e José Lana
Cellos: Alceu Reis e Márcio Malard
Direção Artística: Maria Bethânia
Produção: Perinho Albuquerque
Técnicos de Gravação: Ary Carvalhaes, Luiz Claudio e Chocolate
Mixagem: Ary Carvalhaes
Montagem: Antonio Barroso
Capa: Elifas Andreato
Foto: Mariza Alvares de Lima
Arte final: Alexandre Huzak
Estudio: Polygram
Gravado no mês de novembro de 1979 - Barra da Tijuca -Rio de Janeiro - RJ
domingo, 13 de abril de 2008
Beto Villares (Excelentes lugares bonitos 2003)
Beto Villares é o produtor musical responsável por discos de Zélia Duncan, Pato Fú e Céu. Além disso, ele foi diretor musical do projeto "Música do Brasil" que fez uma baita pesquisa com as canções populares pelo país adentro. Ele também trabalhou em trilhas de vários filmes como "Abril despedaçado" e "O ano que meus pais saíram de férias". O disco "Excelentes Lugares Bonitos" é de 2003. Tem belas participações como da Céu, Zélia Duncan, Pato Fú. A maioria das canções são assinadas pelo próprio Beto Villares, outras
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Tom Zé - (Jogos de Armar 2000)
Barrado no baile da Ilha Fiscal do tropicalismo, Tom Zé dá a volta por cima em grande estilo. Cult também no Brasil atual, ele documenta suas pioneirices reproduzindo no encarte de seu novo disco – o primeiro gravado para o mercado local desde sua repescagem por David Byrne – recortes de publicações diversas. Estão lá a matéria da revista Rolling Stone que o apelida em 1998 de O pai da invenção (em contraponto ao Mothers of Invention, banda de Frank Zappa), a do New York Times, de 1999, com o título "Escrevendo canções (às vezes para instrumentos de verdade)" e ainda manchetes nativas que atribuem-lhe a criação do sampler em 1978 e a condução dos eletrodomésticos da cozinha para o palco. No disco, atuam algumas dessas invenções os "instromzémentos" como o enceroscópio, a serroteria, o buzinório (na abertura de Jimi Renda-Se) e o hertZé, o tal sampler bolado por ele. Não contente com essas descobertas (que convivem com instrumentos convencionais e outros nem tanto como baixolão, tambor-boi, cravo), o compositor ainda lança o ritmo chamegá, disseminado na faixa homônima e em algumas outras com direito a coreografia desenhada no encarte. Seu balanço seccionado está mais para maxixe (ou afoxé) que o xamego difundido por Luis Gonzaga, de quem ele cita Xanduzinha entre palavrões e xingamentos à influencia estrangeira: "Aí chegou o gringo com o sequencer pra prender/ o músico brasileiro na camisa de força". Protesto ainda mais violento sai de O PIB da PIB, onde ele questiona a Prostituição Infantil Barata da "criança coitadinha do Nordeste" dentro da perversa economia nacional.
Mesmo quando faz covers de clássicos tão batidos como Pisa na Fulô e principalmente Asa Branca, TZ dá lições. Reconstrói, mexe na estrutura das músicas que ganham outra face sem prejuízo das idéias originais. Passagem de Som, também calcada na cadencia do chamegá ("violão que tem o acento uma semi-colcheia depois do tempo forte da bateria") lembra as broncas de Tim Maia quanto ao retorno dos amplificadores em seus shows. Não falta sarcasmo ao baião A Chegada de Raul Seixas e Lampião no FMI. E o samba enredo Sonhar (Sonho da Criança-Futuro-Bandido da Favela na Noite de Natal), que fecha o disco, tem mais a ver com as contradições do que com a tradição do gênero. Como se não bastassem todas as revoluções por minuto do CD básico há ainda um segundo disquinho (grátis) só com as bases para que o ouvinte interaja com o projeto inicial. À rala dieta musical prescrita pelo mercadão diluidor, Tom Zé contrapõe um banquete de signos & inovações. Haja apetite cultural!
Tárik de Souza
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Lanny Gordin - Duos (2007)
Quando o jovem Lanny Gordin surgiu, no final da década de 1960, o mundo da música brasileira foi chacoalhado por sons elétricos que misturavam a explosão do rock, as harmonias sofisticadas do jazz e a ginga dos ritmos nacionais. Logo aquele menino-prodígio estaria gravando e se apresentando ao lado de nomes como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa e até mesmo João Gilberto, num especial de TV. Hoje, quase 40 anos depois, o talento de Lanny se desenvolveu e seguiu o caminho de um fusion totalmente livre, de improvisações e harmonias refinadas, no Projeto Alfa, formado por Guilherme Held (guitarra), Fábio Sá (baixo) e Zé Aurélio (timbatera).
Além de tocar na noite em viagens sonoras que apontam para o futuro, Lanny Gordin preparou o álbum Duos, com 16 canções que trazem astros da MPB como convidados especiais. Participam do disco Caetano , Gil, Gal, Arnaldo Antunes, Adriana Calcanhotto, Max de Castro, Chico César, entre outros. Que outro guitarrista conseguiria reunir, num só CD, um time de estrelas desse naipe? Em belos duos de guitarra e voz, Lanny mostra todo seu conhecimento de harmonia em acompanhamentos quentes e espontâneos. O repórter Henrique Inglez de Souza conversou com o guitarrista, que revelou detalhes do novo álbum e de sua carreira. A matéria contém ainda uma lição escrita por Guilherme Held e depoimentos de vários artistas que cantam em Duos. [FONTE]
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Renato Braz ( Outro Quilombo 2002 )
Renato Braz lançou seu primeiro trabalho em 1996, homônimo. Dois anos depois veio o segundo, História Antiga. Em 2002 o número de CDs de sua carreira dobrou. No início do ano lançou o CD Outro Quilombo. Mas, como venceu o V Prêmio Visa Edição Vocal, um dos prêmios era o direito de gravar um CD. No final do ano chegou às lojas, Quixote, pelo selo Eldorado. Este talvez tenha sido o grande salto de sua carreira, tornando-o uma das vozes mais admiradas da nova geração da música brasileira.
Um músico que canta com alma, com uma sonoridade inigualável e surpreendente. O pragmatismo das formas das canções contrasta em harmonia com a ousadia da maneira peculiar como Renato toca seu violão. O dedilhado suingado, o bom gosto dos arranjos, simples, relaxantes. Tudo emoldurado pela sonoridade caipira perfaz um dos mais belos trabalhos da música regional contemporânea.
domingo, 6 de abril de 2008
Djavan - (A Voz e o Violão 1976, Primeiro disco da carreira)
Djavan Caetano Viana nasceu em 27de Janeiro de 1949 em Maceió AL. De família pobre, aos 16 anos começou a tocar violão, que aprendeu de ouvido. Em Maceió, formou o grupo Luz, Som, Dimensão, mais conhecido como LSD, com repertório dos Beatles. Mudou-se para o Rio de Janeiro RJ em 1973, quando foi contratado como crooner na boate Number One.
Em 1975 foi premiado com o segundo lugar pela canção Fato consumado, no Festival Abertura, da TV Globo. No ano seguinte, gravou o primeiro LP, A voz, o violão e a arte de Djavan, pela Som Livre, que incluía uma de suas criações mais consagradas, Flor-de-lis. No final da década de 1970, suas composições adquiriram estilo de grande lirismo e letras com elaborados jogos de imagens. Em 1980, pela EMI, lançou o disco Alumbramento. Seu disco seguinte, Seduzir, apresentava trabalho percussivo com características africanas, incluindo sucessos como Açaí e Faltando um pedaço. Assinando contrato com a CBS (atual Sony Music), viajou para os EUA para gravar Luz, disco que incluiu a expressão "caetanear" na letra de Sina, retribuída por Caetano Veloso ao gravar a musica no LP Cores e nomes, em que usa o verbo "djavanear". Alem disso, Luz contou com a participação de Stevie Wonder na faixa Samurai. Em 1984 lançou Lilás (com Lilás, Esquinas, Infinito) e participou como ator do filme Para viver um grande amor, de Miguel Faria Jr. Ainda na década de 1980, gravou os discos Meu lado (1986), com Segredo, Topázio e Quase de manha; Não é azul mas é mar (1987), com Dou não dou, Florir, Soweto gravado nos EUA, em inglês, como Bird of Paradise (1988) ; e Djavan (1989), com Corisco, Vida real, e cuja música Oceano, acompanhada pelo violão de Paco de Luccia, foi incluída na trilha da novela Top Modal, da TV Globo.
sábado, 5 de abril de 2008
João Bosco - (Obrigado Gente! Ao Vivo 2006)
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Cartola - Documento Inédito ( Este disco foi originalmente gravado em sistema analógico em 1979 )
Chamado "mestre e divino do morro" por musicólogos, Angenor de Oliveira é um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira. De talento intuitivo e refinado, compôs músicas como As Rosas não Falam, cujos versos revelam uma refinada poesia: "Devias vir/para ver os meus olhos tristonhos/e quem sabe sonhavas meus sonhos/por fim". Negro, nascido no bairro do Catete, no Rio de Janeiro, aos 11 anos foi morar no Buraco Quente, um bairro no Morro da Mangueira. Ganhou o apelido Cartola quando trabalhava em obras, usando um chápeu-coco para não sujar os cabelos de cimento. Aprendeu a tocar cavaquinho desde cedo com o pai. Ainda jovem, costumava ir a missas na Igreja da Glória para ouvir quartetos de coral de Bach e Händel, o que talvez seja um indício de seu refinamento musical, uma vez que não tinha qualquer estudo formal de música. Em 1928, criou, com Carlos Chagas, o Bloco dos Arengueiros, que se transformou na Escola de Samba Estação Primeira da Mangueira, para quem compôs seu primeiro samba-enredo (Chega de Demanda) e escolheu suas cores verde e rosa. Na década de 1930, vendeu os direitos de gravação de vários sambas, como Divina Dama e Qual Foi o Mal que Eu te Fiz?, lançados por vários intérpretes. Desapareceu nos anos de 1940, só retornando ao meio artístico em 1959, quando foi encontrado, pelo jornalista Sérgio Porto, na rua trabalhando como lavador e guardador de carros no bairro de Ipanema. Mais tarde, investindo na batalha para levar o samba do morro às ruas da cidade, abriu, junto com Eugênio Agostine e sua mulher Dona Zica, o bar Zicartola, que se tornou no mais badalado ponto de encontro de sambistas cariocas. Cartola convidava gente como Elizeth Cardoso, Cyro Medeiros e o trio Pixinguinha, Donga & João da Baiana para cantar no bar a música de "pouco valor" (dialeto sambeiro de então). Sua aceitação no mercado fonográfico só ocorreu nos anos de 1960 e 1970, quando conheceu um pouco de popularidade e gravou músicas como O Sol Nascerá, Autonomia, O Mundo É um Moinho, Tive Sim, Divina Dama, Quem me Vê Sorrir. Gravou seu primeiro LP somente em 1974, aos 66 anos, e, mesmo vivendo em grandes dificuldades financeiras, compôs e cantou até morrer, aos 72 anos.
1-Que Sejam Benvindos (Cartola)
2-Autonomia (Cartola)
3-Acontece (Cartola)
4-Senões (Cartola e Nuno Veloso)
5-O Inverno do Meu Tempo (cartola e Roberto Nascimento)
6-Que Sejas Bem Feliz (Cartola)
7-Dê-me Graças, Senhora (Cartola Cláudio Jorge)
8-Quem Me Vê Sorrindo (Cartola e carlos Cachaça)
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segunda-feira, 31 de março de 2008
Novos Baianos - (Acabou Chorare 1972)
Novos Baianos 1972 (Acabou Chorare)
Obra-prima dos Novos Baianos, Acabou Chorare nasceu do choque entre o grupo e João Gilberto. Depois de um primeiro disco semitropicalista, um tanto psicodélico e essencialmente roqueiro gravado em São Paulo (É Ferro na Boneca, de 1970), a trupe se mudou de mala e cuia para o Rio de Janeiro e por lá se instalou. Luiz Galvão, letrista dos Novos Baianos, conhecia o pai da bossa nova desde a adolescência em Juazeiro e retomou o contato assim que pisou na Cidade Maravilhosa. Por algum motivo inexplicável, João se identificou com a turma de hippies e logo começou a freqüentar o, digamos, “alojamento" onde eles moravam. De cara, apresentou ao grupo um samba que, mal sabiam eles, se tornaria a peça-chave da transformação sonora que viria em 1972.
“Brasil Pandeiro" foi composto nos anos 40 por Assis Valente especialmente para Carmen Miranda cantar, e fez quase tanto sucesso na época quanto faria trinta e poucos anos depois. A indicação do samba antigo vinha com um recado mais profundo: “Voltem-se para dentro de vocês mesmos", disse João Gilberto ao grupo. Sob essa brutal influência, Acabou Chorare foi composto e gravado. A faixa-título do disco, aliás, teve como fonte inspiradora uma história que João contara a Galvão pelo telefone e que depois ficaria famosa. Quando ainda era bem pequena, sua filha, Bebel, costumava falar um idioma híbrido, misturando o português de sua terra natal com o espanhol que aprendera durante o período em que morou no México com os pais. Única filha, ela estava sempre coberta de todos os cuidados possíveis. Num escorregão que levou certa vez, quando viu que toda a família vinha para cima dela ver se ela havia se machucado, a menina disparou: “Acabou chorare!". A canção ficou entre as mais tocadas nas rádios de todo o Brasil por mais de 30 semanas consecutivas. Mas o maior sucesso do disco foi mesmo “Preta Pretinha", música de Moraes Moreira feita sobre os versos que Galvão havia escrito para uma menina de Niterói que o havia deixado na mão.
De resto, qualquer mérito que não tenha sido dado à excelência de Acabou Chorare quando o disco foi lançado acabaria sendo devidamente reconsiderado com o correr do tempo. Aos 35 anos, faixas como “Mistério do Planeta", “A Menina Dança", “Tinindo Trincando" e “Besta É Tu" estão em seu melhor momento. E o fato de elas terem ajudado Acabou Chorare a conquistar pela primeira vez o topo de uma lista dos melhores discos brasileiros de todos os tempos só serve para confirmar isso.
Por Marcus Preto - Revista Rolling Stone Brasil
domingo, 30 de março de 2008
Caetano Veloso - (Transa 1972)
Caetano Veloso: depoimento
Chamei os amigos para gravar em Londres. Os arranjos são de Jards Macalé, Tutti Moreno, Moacyr Albuquerque e Áureo de Sousa. Não saíram na ficha técnica e eu tive a maior briga com meu amigo que fez a capa. Como é que bota essa bobagem de dobra e desdobra, parece que vai fazer um abajur com a capa, e não bota a ficha técnica? Era importantíssimo. Era um trabalho orgânico, espontâneo, e meu primeiro disco de grupo, gravado quase como um show ao vivo. Foi Transa que me deu coragem de fazer os trabalhos com A Outra Banda da Terra. Tem a Nine out of Ten, a minha melhor música em inglês. É histórica. É a primeira vez que uma música brasileira toca alguns compassos de reggae, uma vinheta no começo e no fim. Muito antes de John Lennon, de Mick Jagger e até de Paul McCartner. Eu e o Péricles Cavalcanti descobrimos o reggae em Portobelo Road e me encantou logo. Bob Marley e The Wailers foram a melhor coisa dos anos 70. Gosto do disco todo. Como gravação, a melhor é Triste Bahia. Tem o Mora na Filosofia, que é um grande samba, uma grande letra e o Monsueto é um gênio. Me orgulho imensamente deste som que a gente tirou em grupo.
Jornal do Brasil – 16/05/91
Faixas:
01 You don’t know me
02 Nine out of ten
03 Triste Bahia
04 It's a long way
05 Mora na filosofia
06 Neolithic man
07 Nostalgia (That’s what rock’n’roll is all about)
Ficha técnica original
Produzido por Ralph Mace
Arranjos: Jards Macalé, Tutti Moreno, Moacyr Albuquerque e Áureo de Sousa
Criação do discobjeto: Álvaro Guimarães (Verbo)
Planejamento gráfico: Aldo Luiz
Fotos: Deca, Ricardo Lisboa e Juca Gonçalves
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domingo, 23 de março de 2008
Paulinho da Viola - (Acústico MTV 2007)
Paulinho da Viola é um daqueles artistas que marca na vida da gente. O MTV Acústico vem reafirmar a qualidade desse artista. Carioca, sambista de primeira grandeza, vale a pena conferir.
Na música "14 Anos", Paulinho fala que seu pai o aconselhou a ser "doutor", em vez de seguir a carreira de músico. Ainda bem que ele não deixou seu samba encabulado de lado. Exatos 50 anos depois, e aos 64 de idade, o compositor lança o DVD "Acústico MTV Paulinho da Viola", cujo repertório de 21 músicas desfila por sucessos antigos, quatro inéditas e duas canções não tão conhecidas. O trabalho resultou numa primorosa produção, digna de quem faz com talento o que tanto gosta, após todo esse tempo. E se tornou um dos maiores sambistas da história.
O álbum não é mais do mesmo, fato comum quando se trata do formato acústico, porque Paulinho esteve à frente da escolha do cancioneiro (a única intromissão da gravadora foi a inclusão de "Nervos de Aço", de Lupicínio Rodrigues) e trabalhou detalhadamente as melodias com os músicos e suas três cantoras de apoio, entre elas Cristina Buarque.
O cantor revelou três novas pérolas: "Vai Dizer Ao Vento", "Bela Manhã" e "Ainda Mais", essa última em parceria com Eduardo Gudin. Da Viola ainda musicou "Talismã", cuja letra é de autoria de Arnaldo Antunes e Marisa Monte. Deu mais dois tiros certeiros: reviveu "Amor É Assim" e "Foi Demais", lançadas originalmente no disco "Zumbido" (1979). Não deixou faltar "Timoneiro", "Coração Leviano", "Sinal Fechado", "Para Um Amor no Recife" e "Pecado Capital". É só mudou o arranjo de "Tudo Se Transformou", agora mais lenta.
O DVD traz mais sucessos do que a versão em CD -entre eles "Dança da Solidão", "Onde A Dor Não Ter Razão", "Argumento", "Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida" e "Só O Tempo", além de um making of precioso, que conta com depoimentos de Elton Medeiros, Arnaldo Antunes e dos músicos que acompanham o cantor há uma longa data, a exemplo de Didinho, que está com ele faz 37 anos. A MTV também teve o cuidado de contextualizar didaticamente com legendas e fotos quem foram os criadores do samba carioca, à medida em que Paulinho explicava sua história com o ritmo, no bairro de Botafogo, no Rio.
O "Acústico MTV Paulinho da Viola" é um deleite sobre a trajetória de um verdadeiro phD do samba. [FONTE]
01 - Timoneiro
02 - Coração Leviano
03 - Amor é Assim
04 - Para um Amor no Recife
05 - Foi Demais
06 - Coração Imprudente
07 - Pecado Capital
08 - Tudo se Transformou
09 - Sinal Fechado
10 - Ainda Mais
11 - Bela Manhã
12 - Talismã
13 - Vai Dizer ao Vento
14 - Nervos de Aço
15 - Eu Canto Samba
Para baixar e ouvir...
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sexta-feira, 21 de março de 2008
Paulo Costa ( Varal... 2000 )
"O Brasil não conhece o Brasil", versos da canção Querelas do Brasil de Maurício Tapajós e Aldir Blanc na voz de Elis Regina já sintetizava nos anos 70 o quanto ignorante era a indústria cultural em relação à diversidade da produção artística deste país, especialmente à música popular. Trinta anos após, constatamos que a irracionalidade dos mercados aumentou e o quanto mais íngreme se tornou o caminho daqueles que produzem MPB de qualidade nestas plagas.
Por outro lado, nos surpreendemos com a capacidade de sobrevivência em condições adversas e de renovação dessa música. A imensa variedade e complexidade do que chamamos MPB mantem-se e mutiplica-se nos sons produzidos por jovens artistas que empreendem a luta em todos os campos, desde a criação propriamente dita à batalha pelo registro e divulgação da obra - o que por sua vez exige igual empenho e criatividade.
O Brasil que legou Pinxiguinha, Luiz Gonzaga, Geraldo Pereira, Lamartine, Jobim, caetano, Chico, Gil, Djavan e tantos outros não esgotou os seus mananciais e hoje se projeta na voz de gente como Paulo Costa, esse baiano de Feira de Santana que lança, após dez anos de caminhada por bares, teatros e palcos de rua, o seu primeiro CD intitulado Varal... - título também do belo samba de roda que abre o disco. "Coincidências existem" diz Paulinho em seu Baião de Dois, embora saibamos nós, que conhecemos e admiramos seu trabalho, que ele representa, junto com outros novos e talentosos artistas (alternativos?), a resistência daquilo que foi forjado por aqueles ícones que que acabamos de mencionar.
Paulo Costa é quem compõe, canta, toca, arranja, produz e faz a direção musical do seu disco, concebendo, inclusive, o projeto gráfico que reproduz uma bela pintura de Lucely Guimarães. E é certamente a mão do artista em todas as fases da execução do projeto que dá ao trabalho uma forte unidade dentro do seu aparente ecletismo e reflete a sua maturidade.
Do ponto de vista musical o disco traz uma variedade rítmica com alguma predominância das referencias nordestinas, como o baião, o xote, o samba de roda (Baião de Dois, Varal, Arrepios, capoeira do Interior, Amar a Mais), mas há lugar também para canções dolentes ( Tempo) ou diálogos com a bossa nova e o samba carioca (Pra Quem Ama) e a música pop (Pagando Pra ver), tudo muito bem arranjado, de modo a desvelar faixa a faixa a delicadeza e o virtuosismo do intérprete.
Nas letras das canções - todas de sua autoria, sozinho ou dividindo com os parceiros Jurandir Rabelo, Lucely Guimarães, Bel da Bonita e Mimi Omino - percebe-se mais claramente o lado conceitual do disco. A senha é posta ja na primeira faixa, em que a metáfora do vento/redemoinho projetando os sonhos no varal surreal sugere a figura do menino, presente em quase todas as canções, que busca o futuro com sede de mundo e, sobretudo que ama, ora simplesmente caçando o alimento no seio de mãe e evitando o risco de entrar no mar de cabeça, ora com coragem de avião e arriscando perder o chão pra depois recomeçar como lava de vulcão. Por fim, esse garoto, eu lírico e alter ego do artista, se encontra fora de curso ou de "tus", que na verdade é onde deve estar todo poeta que se preze, pois evidentemente discorda de um mundo em que alguns tem nome e muitos tem fome.
Varal, é o primeiro registro do trabalho de Paulo Costa, mas seguramente não se parece com disco de estréia, tal a flagrante maturidade. Lamento apenas que, pela burrice e insensibilidade dos que controlam a indústria e o mercado fonográficos, seja dado a poucos ouvi-los.
Autor do texto: Nélio Rosa.
Nélio Rosa é poeta, escritor, compositor e formador de opinião.
Faixas:
01 - Varal (Paulo Costa/Lucely Guimarães)
02 - Capoeira do Interior (Paulo Costa)
03 - Tempo (Paulo Costa)
04 - Amar a Mais... (Paulo Costa)
05 - Pra Quem Ama (Paulo Costa)
06 - Baião de Dois (Paulo Costa/Lucely Guimarães)
07 - Arrepios (Paulo Costa / Jurandir Rabelo)
08 - Tenho o Vento as Canções e o Dia... (Paulo Costa/J. Rabelo/Bel da Bonita)
09 - Os Bem Aventurados (Paulo Costa / J. Rabelo/Bel da Bonita)
10 - Pagando Pra Ver (Paulo Costa/Mimi Omino)
















